Perguntas inteligentes
Comentando:
"Perguntas Inteligentes: O que é isto?"
Beatriz C Magdalena
Iris Elisabeth Tempel Costa
Lendo o texto, voltei ao meu tempo de estudante de Pedagogia. Lá, entre 1990 e 1993, Piaget dava a tônica do curso. Era o “teórico da moda”. Isso mesmo! Tínhamos um acesso superficial à sua teoria e saíamos da faculdade achando que conhecíamos profundamente sua obra. Mesmo nessas condições, eu gostava dele. Quando passei no concurso e oficialmente assumi o papel de professora, entrei numa rede municipal de ensino em ebulição, onde a tônica era dada por Vigotsky. Gostei dele tb. Piaget estava “fora de moda”. Mas gosto dos dois até hoje. Entretanto, aprendi a dizer, de tanto ouvir críticas a Piaget, que os dois são inconciliáveis. Então ta. “Vigotsky é social, Piaget é biologicista.” E por aí vão as falas que afastam os dois que, certamente, nunca perderam tempo se estranhando ou tentando conciliação. Pesquisaram, observaram, produziram e nos presentearam, os dois, com excelentes reflexões que, se levadas a sério, poderiam alavancar, em muito, a qualidade do nosso trabalho.
Bom, só pra registrar: matei as saudades de Piaget e de seu brilhantismo. Mas voltemos ao texto em questão. Há nele palavras fortes, definidoras: autonomia, cooperação, mediação...
Tudo o que eu, em minha prática em sala de aula, seja no ensino fundamental ou superior, venho tentando imprimir. Sabem onde consigo com mais freqüência? Entre os menores. Parecem estar menos aprisionados, menos impregnados do modelo de escola que insistentemente se reproduz. No ensino superior (sou professora de um curso de Pedagogia, trabalhando geralmente com as 3 últimas fases), as dificuldades são IMENSAS! Como é difícil convencer as acadêmicas (o gênero – feminino – é dominante mesmo neste curso) a buscarem sua autonomia intelectual! Aprenderam a reproduzir, resistem à mudança e, certamente, reproduzirão com seus pequenos alunos quando forem profissionais da educação (quando já não o são - e há muito tempo). Esta é uma questão que o trabalho com projeto de aprendizagem permitiria: a construção crescente da AUTONOMIA do aprendiz, que é, na minha opinião, a palavra mais importante do processo educativo: sendo autônomo, o sujeito (nesse termo, sou Vigotskyana... rs...) constitui-se cidadão pleno. E não é esse o objetivo do processo educativo? Intermediar homem-mundo, mediante o conhecimento?
Outra grande contribuição desta metodologia (estamos falando em projeto de aprendizagem) seria praticamente o FIM dos problemas de evasão, repetência, indisciplina. Grandes problemas causados pela – inconciliável – distância entre os quereres de quem ensina e de quem aprende. Nossa escola está respondendo a perguntas que nunca foram formuladas por nossos alunos. Nem nós mesmos as formulamos... Nem nos interessamos muito, verdade seja dita, pelas respostas que damos...
Pra terminar: os projetos de aprendizagem instigam a CURIOSIDADE, força motriz (que termo mais antigo!!!) da aprendizagem significativa (que termo mais batido!!).

